Fontes digitais, coleções e plataformas online

Aula 5 - Prof. Eric Brasil

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

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Textos para debate

  • JENSEN, Helle Strandgaard. Digital Archival Literacy for (all) Historians. Media History, v. 27, n. 2, p. 251–265, 2021.
  • BRASIL, Eric; NASCIMENTO, Leonardo F. História digital: reflexões a partir da Hemeroteca Digital Brasileira e do uso de CAQDAS. Estudos Históricos, v. 33, n. 69, p. 196–219, 2020.

Jensen (2020) – Digital Archival Literacy

  • Propõe o conceito de “alfabetização arquivística digital”.
  • Arquivos digitais ≠ arquivos analógicos.
  • Nova lógica: produção, conteúdo, distribuição e uso.
  • Questão central: como os sistemas moldam a pesquisa histórica?

O arquivo como meio

  • Inspirada nos Estudos Culturais Britânicos.
  • Arquivo digital = meio de comunicação.
  • Estruturado por:
    • Financiamento
    • Infraestrutura técnica
    • Design de interface
    • Métodos de distribuição

Popularização e viés

  • Digitalização não é neutra.
  • Critério recorrente: disponibilizar o que já é popular.
  • Consequência: marginalização de temas menos rentáveis
    • História da mídia
    • Estudos de gênero
    • Perspectivas decoloniais

O design importa

Três pontos de atenção no design dos sistemas:

  1. Categorias e tags pré-definidas → codificam interpretações.
  2. Algoritmos de busca → pensados para o público geral, não para pesquisa especializada.
  3. Metadados → refletem escolhas de catalogação; influenciam diretamente a pesquisa.

Conclusões – Jensen

  • Historiadores precisam se tornar usuários ativos dos arquivos digitais.
  • Problema da “cultura de não citação” → invisibiliza o uso de acervos digitais.
  • O futuro da pesquisa depende da compreensão e intervenção dos historiadores nos processos de:
    • Produção
    • Design
    • Sustentabilidade dos arquivos digitais

Brasil & Nascimento (2020)

  • Questão central: impacto das ferramentas digitais na pesquisa e na escrita da história.
  • Dois eixos principais:
    1. Fontes digitais – caso da Hemeroteca Digital Brasileira (HDB).
    2. CAQDAS – softwares de análise qualitativa (ex.: ATLAS.ti).

Desnaturalizando o digital

  • Muitos pesquisadores usam acervos digitais sem debate metodológico.
  • Perguntas que orientam o artigo:
    • Há diferenças entre fontes digitais e tradicionais?
    • As ferramentas digitais mudam a percepção e interpretação histórica?

Fontes digitais

  • Digitalização = rematerialização (não simples “desmaterialização”).
  • A cópia digital:
    • exige cadeia de custódia → autenticidade e integridade;
    • perde propriedades do suporte físico;
    • torna-se reprodutível e dataficável.
  • Metadados → dados sobre os dados, fundamentais para contextualizar e validar.

Estudo de caso: HDB

  • Potencialidades:
    • Acesso aberto a milhões de páginas.
    • Busca textual → reconstrução de trajetórias (ex.: Moyses Zacharias da Silva).
  • Limitações:
    • Dependência do OCR → erros e ausências.
    • Risco de fragmentação → leitura só por palavras-chave, sem o todo.

CAQDAS e novos caminhos

  • Softwares como ATLAS.ti, NVivo, MAXQDA.
  • Permitem:
    • Codificação de trechos (quotations).
    • Organização em redes e categorias analíticas.
    • Relacionar textos, imagens, áudios e vídeos.
  • Vantagem: superar a fragmentação da busca nominal.
  • Ex.: Flor do Abacate → 1.272 ocorrências na HDB → só com CAQDAS é possível estruturar análise.

Conclusões - Brasil & Nascimento

  • Ferramentas não substituem o historiador → rigor metodológico é responsabilidade do pesquisador.
  • Necessidade de transparência metodológica:
    • Explicitar uso de HDB, CAQDAS, fluxos de trabalho.
  • A história digital exige um “upgrade” teórico-metodológico.
  • Desafio: não apenas usar, mas refletir criticamente sobre as ferramentas digitais.

Os artigos ainda tem sentido diante da virada com as IAs generativas?

  • Acesso e diálogo com arquivos:
    • Como os LLMs vão mediar nossa entrada nos acervos digitais?
    • Haverá mais transparência ou novas “caixas-pretas”?

  • CAQDAS e LLMs:
    • CAQDAS ainda tem sentido como ferramenta de organização e codificação?
    • LLMs podem automatizar e expandir tarefas de análise qualitativa, mas quais os riscos?

  • Atualidade dos debates:
    • As questões de Jensen (design, metadados, viés da popularidade) e de Brasil & Nascimento (rigor, rematerialização, fragmentação) continuam centrais.
    • O desafio é aplicá-las criticamente às novas tecnologias de IA.