Ensino de história, história pública e divulgação num mundo de IAs

Eric Brasil

UNILAB e PPGIHD/UFRRJ

terça-feira, 18 de novembro de 2025

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Parte 1: História pública digital na “virada digital”

NOIRET, Serge. História Pública Digital. Liinc em Revista, v. 10, n. 1, 28 maio 2015.

1.1 A virada digital em Noiret

  • A virada digital na história:
    • Reformula o tipo de documentação com que trabalhamos (digitização, nativos digitais).
    • Transforma as ferramentas de armazenamento, tratamento e acesso à informação.
    • Introduz novas questões epistemológicas, ligadas a big data e novas formas de narrar o passado.

1.1 A virada digital em Noiret

  • Não há, segundo Noiret, uma metodologia sistemática consolidada para:
    • Abordar criticamente as ferramentas digitais.
    • Analisar o deslocamento dos “big data”.
    • Compreender a nova capacidade pública de “trabalhar com o passado”.

1.1 A virada digital em Noiret

  • Tudo isso altera profundamente:
    • A relação entre historiadores e públicos.
    • O modo como a história é produzida, mediada e consumida.

1.1.1. Relação com o público se transforma

  • História digital (pública) torna-se forma dominante de presença do passado na sociedade.
  • Historiadores disputam espaço com outras narrativas (memórias pessoais, mídias, algoritmos).
  • Noiret defende que os códigos profissionais precisam ser:
    • Reescritos, reinterpretados.
    • Abrangendo novos modos de produzir e compartilhar narrativas históricas.

1.2 Web 2.0 e crowdsourcing em Noiret

  • Passagem de uma web de páginas estáticas para plataformas interativas.
  • Usuários como coprodutores de conteúdo (comentam, remixam, colaboram).
  • A história pública digital se apoia em:
    • Crowdsourcing: mobilização de “multidões” para produzir, indexar e comentar conteúdos históricos.
    • Memórias pessoais, arquivos familiares, coleções locais que ganham visibilidade online.

1.2 Web 2.0 e crowdsourcing em Noiret

  • A presença difusa do passado na rede:
    • Questiona o monopólio interpretativo do historiador profissional.
    • Coloca em tensão memória, identidade e autoridade historiográfica.

1.2 Web 2.0 ainda faz sentido hoje?

  • De um lado, ainda existe:
    • Produção colaborativa (wikis, fóruns, repositórios abertos).
  • Por outro lado, vemos:
    • Plataformização: redes sociais como jardins murados, com algoritmos que modulam visibilidade.
    • Usuários transformados em fontes de dados mais do que em autores e produtores de conteúdo.

1.2 Web 2.0 ainda faz sentido hoje?

  • Com a virada das IAs generativas:
    • Tendência ao fechamento de dados (restrição de APIs, paywalls, proteção de bases).
    • Conteúdos históricos passam a ser usados como treino de modelos, muitas vezes sem transparência.

  • Ainda podemos pensar o público como “coprodutor” ativo?
  • Ou estamos diante de um cenário em que o público é, sobretudo, fornecedor de dados para sistemas opacos?
  • Quais os riscos para a história pública digital nesse contexto de “fechamento de dados”?

1.3 Impacto epistemológico da história digital

  • Escala e quantidade
  • Materialidade e estabilidade das fontes
  • Narrativa histórica: novas mídias e fronteiras porosas entre texto e interface.
  • Profissionais da história e o monopólio do passado.

1.4 História digital pública: pontos de atenção

  • Transparência metodológica: como montamos bases, limpamos dados, treinamos modelos?
  • Crítica de fontes digitais: quem produz, quem indexa, quem decide o que aparece?
  • Responsabilidade pública: narrativas podem ser amplificadas, apropriadas ou distorcidas.

1.4 História digital pública: desafios centrais

  • Combater anacronismos algorítmicos (modelos que projetam categorias presentes sobre o passado).
  • Enfrentar o viés de sobrevivência digital (o que foi digitalizado x o que permanece invisível).
  • Articular historiografia, memória social e infraestruturas digitais.

Parte 2: IA generativa, ensino de história e história pública

SILVA, André Luiz da. História e Inteligência Artificial: uma análise sobre as percepções de discentes sobre a automação da pesquisa e do ensino em História. Revista Diálogo Educacional, v. 22, n. 83, 9 dez. 2024.

2.1 Perfil e familiaridade

  • 69 graduandos em História
  • Formulário (jun–dez/2023)
  • Maioria: 18–24 anos
  • Predomínio de universidades públicas
  • Conhecimento sobre IA: superficial
  • Poucos com familiaridade avançada

2.2 Percepções positivas

  • IA pode melhorar o ensino
  • Apoia materiais interativos
  • Ajuda a identificar dificuldades
  • Contribui na digitalização e análise de dados
  • Uso pedagógico visto como promissor

2.3 Tensões e limites

  • Sensação de despreparo
  • Forte demanda por formação em IA
  • IA não substitui o professor
  • Aceitação maior em tarefas burocráticas

2.4 IA, pesquisa e automação

  • IA abre novas possibilidades de pesquisa
  • Resistência ao uso como “fonte direta”
  • Preocupação com erros, imprecisões
  • Automação bem vista para tarefas repetitivas

2.5 Síntese: percepções dos discentes

  • Otimismo pragmático
  • Reconhecimento do potencial pedagógico
  • Críticas: veracidade, dependência, atalhos
  • Centralidade da formação e da ética

Parte 3: IA na prática do ensino de história

IAEdPraxis: Caminhos Inteligentes para a Educação