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CCLHM0081 · História da América Independente

Independências da América Hispânica

Eric Brasil24 de setembro de 2026UNILAB
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Objetivos da aula

  • Situar a crise do Império espanhol e as Reformas Bourbon
  • Debater se as independências foram revoluções (Mäder, 2008)
  • Reconstruir as campanhas e seus sujeitos (Prado & Pellegrino, 2014)
  • Discutir os limites da cidadania nas novas repúblicas
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Os dois textos da aula

  • Mäder (2008): balanço historiográfico — como diferentes correntes interpretam as independências
  • Prado & Pellegrino (2014): narrativa das campanhas e da construção dos Estados nacionais
  • Mäder dá o mapa das interpretações; Prado & Pellegrino encarnam o processo em sujeitos e conflitos
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Parte I — A crise do Império espanhol

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Transformações (séc. XVII–XIX)

  • Economia: crise da prata, avanço de Inglaterra e França, comércio ilícito
  • Política: Reformas Bourbon e centralização
  • Sociedade: elite crioula em ascensão, tensões populares

Três dimensões entrelaçadas: crise da prata e avanço de potências rivais (econômica), centralização borbônica (política), ascensão e descontentamento crioulo (social). Estas transformações prepararam o terreno, mas não determinaram sozinhas a ruptura — a crise de 1808 foi o catalisador.

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Reformas Bourbon

  • Carlos III (1759–1788): modernização do império
  • Liberação parcial do comércio e novos impostos
  • Novos vice-reinos (ex.: Rio da Prata, 1776)
  • Enfraquecimento das elites locais e descontentamento crioulo

As reformas buscaram revitalizar o império, mas acirraram conflitos com a elite crioula.

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1808: a crise dinástica

  • Invasão napoleônica da Espanha
  • Abdicação forçada de Fernando VII
  • Formação de Juntas locais na península e nas Américas
  • Abertura de um debate sobre soberania

A invasão napoleônica e a deposição de Fernando VII abriram uma crise de legitimidade. As Juntas formadas nas Américas — inicialmente leais ao rei — tornaram-se embriões dos futuros Estados independentes.

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Constituição de Cádiz (1812)

  • Regime constitucional monárquico
  • Soberania nacional e separação de poderes
  • Abolição da Inquisição, do tributo indígena e da mita
  • Voto amplo — com exclusão dos afrodescendentes

Promulgada durante a ocupação napoleônica pelas Cortes de Cádiz — parlamento em resistência à invasão francesa. Modelo liberal: limitou o poder absoluto do rei e estabeleceu soberania nacional. Aplicada também às colônias, com igualdade de direitos políticos — exceto afrodescendentes.

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Impactos nas colônias

  • Primeira participação legislativa americana
  • Descentralização e legitimação das Juntas
  • Reação realista após 1814: retorno do absolutismo
  • Formação de uma cultura constitucionalista

Pela primeira vez, representantes coloniais participaram de um processo legislativo europeu — gerando novas ideias de soberania e autonomia local. A revogação da Constituição por Fernando VII em 1814 demonstrou aos líderes coloniais a necessidade de romper completamente com a Espanha. Catalisador das independências.

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Parte II — Revolução ou não?

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Por que importa o conceito?

  • "Consenso terminológico" esconde diferenças profundas
  • Cada conceito de revolução implica uma leitura distinta do processo
  • Três grandes significados em disputa no século XX

(Mäder, 2008)

A discussão central da aula: as lutas de independência foram revoluções? Diferentes historiografias atribuem ou não caráter revolucionário aos movimentos. Analisar o conceito é analisar o próprio processo.

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1. Consenso liberal-nacionalista

  • Predomínio até fins dos anos 1950
  • Revolução = mera ruptura do vínculo colonial
  • Visão maniqueísta: gachupines × patriotas
  • Silenciamento de indígenas e negros
  • Postura anacrônica: nacionalismo antes dos Estados

Historiografia liberal tradicional: independência como revolução no sentido estrito de ruptura política com a metrópole. Centralidade da elite crioula — substituição dos peninsulares. Apaga a participação de indígenas, negros e mulheres.

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2. Revolução atlântica

Godechot e Palmer

  • Independências como parte do ciclo atlântico e burguês
  • Contexto da Guerra Fria e da produção norte-atlântica
  • Causalidade externa: ruptura vinda "de fora"
  • Pouca atenção às dinâmicas internas
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3. Chaunu e a crítica marxista

  • Chaunu (1973): contradições internas da sociedade colonial
  • Elite criolla: dominante na economia, alijada do poder
  • Caráter de guerra civil
  • Marxismo: houve revolução estrutural ou apenas reforma?

Marxismo nega o caráter revolucionário ao apontar pouca transformação nas estruturas econômicas e sociais — houve mudança política, mas permanência das estruturas coloniais. Chaunu destaca as contradições internas e o caráter de guerra civil.

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François-Xavier Guerra

  • Independências como modernidade política
  • Revolução como processo e acontecimento (Furet)
  • Novas sociabilidades: tertúlias, clubes, imprensa
  • Novo vocabulário: soberania, nação, cidadania

Para Guerra, o processo hispano-americano é parte de um fenômeno maior — a modernidade. As revoluções começam em 1808 e fazem parte da ruptura com o Antigo Regime. Nova soberania popular e criação de novas formas de sociabilidade.

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1808–1810: ponto de mutação

  • Juntas locais em Sevilha, Cádiz e nas Américas
  • Debate sobre soberania na ausência do rei
  • Visão unitária (peninsular) × visão pactista (americana)
  • Deslocamento do eixo de legitimidade

Guerra destaca este período como ponto de mutação ideológica decisivo. Disputa entre a visão monárquica absolutista e a visão plural e pactista dos americanos — duas concepções incompatíveis de soberania.

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Um "laboratório político"

  • Multiplicidade de ensaios constitucionais
  • Fronteiras políticas ainda indefinidas
  • Novas noções: representação, opinião pública, povo soberano
  • Período rico em alternativas políticas e novos sujeitos

A crise dinástica e as guerras criaram um verdadeiro laboratório político nas Américas. Independência como parte de um processo mais amplo de transformação política e social — não só ruptura, mas invenção de novos sujeitos e formas.

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Parte III — As campanhas de independência

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Panorama: 1808–1824

  • "Em pouco mais de uma década, o imenso Império Espanhol na América desmoronou"
  • Juntas americanas iniciais: fidelidade ambígua a Fernando VII
  • Entre 1810 e 1814: vitórias insurgentes e reação realista
  • Retorno de Fernando VII (1814) e reconquista parcial
  • Consolidação das independências entre 1819 e 1825

(Prado & Pellegrino, 2014)

Processos longos e não lineares. Conflitos armados entre 1810 e 1825 envolvendo projetos políticos distintos, ampla participação popular e a construção das novas repúblicas — com seus limites.

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Ideias ou estruturas?

  • Ideias: Iluminismo, independência dos EUA, liberalismo
  • Estruturas: contradições do pacto colonial, Revolução Industrial
  • Síntese (Flores Galindo): "combinações específicas entre determinações estruturais e vontades"
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José de San Martín

  • Nascido em Yapeyú (1778), formado no exército espanhol
  • Retorno às Américas em 1812
  • Travessia dos Andes (1817) — 5.500 combatentes
  • Libertação do Chile e do Peru (1821)
  • Defensor da monarquia constitucional

Oficial do exército espanhol antes de retornar ao Prata. Perfil mais conservador em comparação a Bolívar — defendia a monarquia constitucional como forma de estabilidade política.

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Simón Bolívar

  • Criollo venezuelano, fazendeiros abastados
  • Independência da Venezuela (1811) e Nova Granada (1819)
  • Projeto da Grã-Colômbia
  • Carta da Jamaica (1815) e Angostura (1819)
  • Presidência vitalícia e Senado hereditário

Sonhou com uma federação latino-americana unida sob princípios republicanos e liberais. Projeto da Grã-Colômbia como síntese dessa aspiração, mas com arquitetura institucional autoritária (presidência vitalícia, Senado hereditário).

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Bolívar desiludido

"A liberdade, desde então, só tem encontrado adversários absolutos às esperanças republicanas."

Santa Marta, 1830 — morte às vésperas da fragmentação da Grã-Colômbia.

(Prado & Pellegrino, 2014)

O Congresso do Panamá (1826) simbolizou a tentativa fracassada de unidade — divergências regionais e interesses locais prevaleceram. O sonho deu lugar à fragmentação e às repúblicas autônomas.

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México: singularidade popular

  • Miguel Hidalgo: Grito de Dolores, 16/09/1810
  • Mobilização de camponeses, indígenas e mestiços
  • Estandarte da Virgem de Guadalupe
  • Abolição do tributo indígena e da escravidão
  • Derrota e fuzilamento em 1811

Hidalgo confere ao movimento dimensão social e racial explícita — abolição do tributo indígena e da escravidão. A fé católica como instrumento de mobilização (estandarte da Guadalupe). Derrotado e fuzilado em 1811.

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Morelos e o medo das elites

  • José María Morelos continua o movimento
  • Projeto popular × projeto das elites crioulas
  • Medo da dimensão racial e social da luta
  • Independência em 1821 sob Iturbide (elite)

Morelos mantém o projeto popular. As elites crioulas, temerosas da dimensão racial e social da luta, acabam promovendo a independência em 1821 sob Iturbide — revertendo o conteúdo popular do movimento.

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Parte IV — Quem fez as independências?

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Pluralidade de sujeitos

  • Elites crioulas e peninsulares
  • Indígenas, escravizados, pardos, mestiços
  • Mulheres em múltiplos papéis
  • Padres, camponeses e plebe urbana

Seguindo Di Meglio: a participação popular foi massiva, diversa e decisiva — nem subordinada, nem puramente autônoma, mas parte estruturante da crise. As revoluções hispano-americanas foram também revoluções sociais.

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Indígenas em armas

  • Apoio popular a Hidalgo e Morelos no México
  • Mateo Pumacahua: cacique do Cuzco (1814)
  • Participação ambígua: alianças e resistências locais
  • Memória oficial os reduz a figurantes

Muitos grupos populares mudaram de lado — a adesão a insurgentes ou realistas dependia de contextos locais e alianças. Movimentos de autogoverno indígena e ações nem sempre dirigidas pelas elites. A guerra como espaço de negociação e sobrevivência.

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Padres na insurgência

  • Cerca de mil padres envolvidos no processo
  • Hidalgo e Morelos (México)
  • Camilo Henríquez (Chile)
  • Igreja dividida entre realistas e patriotas

Circulavam ideias de igualdade e justiça divina ("Dios nos dotó con la libertad"), presença de elementos milenaristas e religiosos nas rebeliões. A fé católica serviu como instrumento de mobilização e legitimação — com a Igreja dividida internamente.

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Mulheres nas guerras

  • Juana Azurduy de Padilla: tenente-coronel no Alto Peru
  • Policarpa Salavarrieta ("La Pola"): mensageira, fuzilada em 1817
  • "As amazonas" e mulheres comuns seguindo as tropas
  • Tertúlias patrióticas de mulheres abastadas

Presença feminina significativa e multifacetada — de lideranças guerrilheiras a mulheres comuns que seguiam os exércitos (cozinhando, cuidando, lutando). Mulheres da elite organizavam tertúlias patrióticas. Atuação política ampla, depois apagada pela memória oficial.

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Afrodescendentes em armas

  • Batalhão Negro de Buenos Aires: integrou o exército de San Martín
  • Pardo e Piñero (Ayacucho); batalhão negro em Carabobo
  • Promessa de alforria pelo serviço militar
  • Ambiguidade: liberdade conquistada × liberdade revogada

Com Rodrigues (2023) e Guzmán (2013): afrodescendentes como atores ativos da revolução, não apenas "carne de canhão". A guerra abriu possibilidades de mobilidade — promessas de alforria, salários, reconhecimento político. Batalhões integrados, oficiais negros e pardos livres. Muitas promessas foram revertidas após a guerra.

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Cidadania e exclusão

  • Leis eleitorais restritivas (renda, propriedade)
  • Cádiz (1812) já excluía os de ascendência africana
  • Libertos sem sufrágio nas novas repúblicas
  • Hierarquias coloniais sob discurso igualitário

Poucos afrodescendentes foram reconhecidos como cidadãos plenos. O "patriotismo" e o "sacrifício militar" tornaram-se formas de cidadania prática, ainda que não formal. A memória posterior os transformou em "carne de canhão", apagando a dimensão política de sua atuação.

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Parte V — O horizonte republicano

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Tarefas da república

  • Montar a estrutura administrativa
  • Delimitar fronteiras
  • Reanimar economias em ruína
  • Construir legitimidade política

(Prado & Pellegrino, 2014)

Após a ruptura, os novos Estados enfrentaram simultaneamente desafios imensos. Construir legitimidade política foi talvez o mais complexo — num terreno sem tradição republicana e com elites divididas sobre o modelo institucional.

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Fragmentação territorial

  • Do Vice-Reino único às múltiplas repúblicas
  • Guerras civis e caudilhismo
  • Instabilidade constitucional prolongada
  • Mapa político da América Latina em 1830

O sonho bolivariano de unidade deu lugar à fragmentação em meio a guerras civis, caudilhismo e instabilidade constitucional. Contrastar o mapa de 1808 com o de 1830.

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Federalistas × Centralistas

  • Eixo central do conflito pós-independência
  • Argentina: Rosas, Facundo Quiroga × unitários
  • México: liberais × conservadores
  • Venezuela: Bolívar e a recusa do federalismo

Eixo estruturante dos conflitos pós-independência. Bolívar recusa o federalismo na Venezuela por temer a fragmentação — em contraste com outros contextos. Não há um modelo único de organização política.

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Argentina em guerra civil

  • Rosas: base entre estancieiros de Buenos Aires
  • Caudilhismo provincial (Quiroga em La Rioja)
  • Batalha de Caseros (1852): Urquiza derrota Rosas
  • Mitre (1862): unificação centralizada

Caso paradigmático das guerras internas pós-independência. A consolidação argentina só se dá em 1862 — mais de meio século após 1810 — com a unificação centralizada sob Mitre.

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Echeverría: democracia sob tutela

  • Jovem Argentina (1838), exílio em Montevidéu
  • Dogma socialista (1846)
  • Democracia como soberania da razão
  • Massa vista como "ignorante" — educação antes da participação

Liberalismo tutelar típico da elite letrada: democracia entendida como soberania da razão, não da maioria. Primeiro educar, depois participar — adiamento indefinido da participação popular efetiva.

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Mora e a refutação de Rousseau

  • José María Luis Mora (México)
  • Catecismo político da Federação Mexicana (1831)
  • Câmara como "corpo passivo" da razão representativa
  • Propriedade como condição de cidadania

Mora refuta Rousseau ao pensar a Câmara como corpo passivo da razão representativa. A propriedade torna-se condição de cidadania — liberalismo censitário explícito, coerente com a lógica de exclusão compartilhada por liberais e conservadores.

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"Perigosa e funesta igualdade"

  • Temor liberal e conservador da participação popular
  • Exclusão de camponeses, indígenas, negros e mulheres
  • "Quadro social sólido" = hierarquia mantida
  • Cidadania recortada por renda, propriedade e raça

Temor compartilhado por liberais e conservadores: o "quadro social sólido" significa hierarquia mantida. As promessas da ruptura com a metrópole não se traduzem em igualdade substantiva. A cidadania é censitária e racializada.

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Encerramento

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Independências e suas contradições

  • Ruptura política com a metrópole
  • Continuidade de hierarquias sociais e raciais
  • Novos sujeitos em cena — e à margem
  • Laboratório político × cidadania excludente

Síntese da aula: as guerras foram processos múltiplos, não lineares. Independência política ≠ transformação social. As novas repúblicas nasceram marcadas por contradições e exclusões — mas também pela emergência de novos sujeitos políticos.

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Os dois textos em diálogo

  • Mäder: o debate sobre o conceito de revolução abre novas perguntas
  • Prado & Pellegrino: a narrativa mostra as respostas em disputa
  • Juntos: independência política ≠ transformação social
  • A questão que fica: quem fez a independência, e quem foi autorizado a fazer a república?

Mäder dá o mapa das interpretações — o "o quê" da revolução. Prado & Pellegrino encarnam o processo em sujeitos e conflitos — o "como" e o "quem". Fechar a aula com a pergunta aberta sobre a distância entre quem lutou e quem foi reconhecido como cidadão.

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Bibliografia da aula

  • MÄDER, Maria Elisa Noronha de Sá. Revoluções de Independência na América Hispânica: uma reflexão historiográfica. Revista de História, n. 159, p. 225–241, 2008.

  • PRADO, Maria Lígia; PELLEGRINO, Gabriela. Campanhas de independência nos vice-reinos espanhóis; O horizonte republicano nos Estados nacionais em formação. In: História da América Latina. São Paulo: Contexto, 2014. p. 25–56.

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