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CCLHM0081 · História da América Independente

A Construção da Nação Haitiana (1804–1850)

Eric Brasil10 de setembro de 2026UNILAB
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Abertura musical

Haiti — Emicida, part. Caetano Veloso

DVD “10 anos de Triunfo”. Assistir no YouTube.

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Letra · 1/3

Haiti/Dedo Na Ferida

(Caetano Veloso) Quando você for convidado pra subir no adro Da fundação casa de Jorge Amado Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos Dando porrada na nuca de malandros pretos De ladrões mulatos e outros quase brancos Tratados como pretos Só pra mostrar aos outros quase pretos (E são quase todos pretos) Como é que pretos, pobres e mulatos E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
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Letra · 2/3

Haiti/Dedo Na Ferida

(Emicida) E não importa se os olhos do mundo inteiro Possam estar por um momento (voltados para o largo) Onde os escravos eram castigados E hoje um batuque um batuque Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária (Em dia de parada) E a grandeza épica de um povo em formação Nos atrai, nos deslumbra e estimula Não importa nada: Nem o traço do sobrado Nem a lente do fantástico, Nem o disco de Paul Simon Ninguém, ninguém é cidadão Se você for a festa do pelô, e se você não for Pense no Haiti, reze pelo Haiti O Haiti é aqui O Haiti não é aqui
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Letra · 3/3

Haiti/Dedo Na Ferida

Vi condomínios rasgarem mananciais A mando de quem fala de Deus e age como satanás (Uma lei) quem pode menos, chora mais, Corre do gás, luta, morre, enquanto o sangue escorre É nosso sangue nobre, que a pele cobre, Tamo no corre, por dias melhores, sem lobby Hei, pequenina, não chore TV cancerígena, Aplaude prédio em cemitério indígena Auschwitz ou gueto? índio ou preto? Mermo jeito irmão, extermínio Reportagem de um tempo mau, tipo Plínio Alphaville foi invasão, incrimine-os Eu grito como fuzis, úzis, por brasis Que vem de baixo, igual Machado de Assis Ainda vivemos como nossos pais Elis Quanto vale uma vida humana, me diz? Então Se você for a festa do pelô, e se você não for Pense no Haiti, reze pelo Haiti O Haiti é aqui O Haiti não é aqui O Haiti é aqui O Haiti não é aqui
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Ponto de partida

Objetivos da aula

  • Discutir os desdobramentos da Revolução Haitiana.
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Organização

Percurso da aula

  • Transformações econômicas e reconfiguração agrária após a independência.
  • Relações de trabalho, cidadania e participação política.
  • Divisão entre Norte e Sul e reunificação do Haiti.
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Parte II

A construção da nação haitiana

A construção política, econômica e social do Haiti independente.

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1804–1850

Aspectos Econômicos

  • Diminuição da Produção de Açúcar e Café: Após a independência, a produção das principais commodities do Haiti, como o açúcar e o café, caiu drasticamente.
  • Reconfiguração Agrícola: A economia se voltou para a agricultura de subsistência, com pequenas propriedades familiares tomando o lugar das grandes plantações coloniais.
  • Impactos Globais: A interrupção do sistema plantation no Haiti causou um impacto profundo no comércio global, especialmente na Europa, que dependia das exportações de açúcar e café haitianos.
A economia do Haiti mudou drasticamente após a independência, afastando-se do modelo de plantation e mudando para a subsistência agrícola, afetando a economia global.
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1804–1850

Relações de Trabalho

  • Abolição da Escravidão: O fim da escravidão trouxe novas formas de trabalho, com a transição para o sistema de cultivadores, que restringia a liberdade de movimento dos ex-escravos.
  • Código Rural (1826): Criado por Boyer, o código rural obrigava os trabalhadores a permanecerem nas plantações, criando condições de trabalho semelhantes às da escravidão.
  • Migração para as Montanhas: Ex-escravizados insatisfeitos com as restrições impostas migraram para áreas montanhosas, estabelecendo pequenas comunidades agrícolas.
Embora a escravidão tenha sido abolida, as condições de trabalho continuaram a ser opressivas, e o sistema de cultivadores limitava a liberdade dos ex-escravos.
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1804–1850

Participação Política e Cidadania

  • Direitos Limitados: A maioria da população ex-escravizada não teve participação política efetiva, com o controle do Estado concentrado nas elites.
  • Influência dos Antigos Livres: A cidadania era uma questão central, mas as tensões entre os anciens libres (antigos livres) e os recém-libertados criaram barreiras políticas.
  • Controle pelas Elites Crioulas: A elite mestiça controlava as instituições políticas, marginalizando a maioria negra e limitando a inclusão na esfera política.
A exclusão da maioria negra do processo político foi uma característica marcante do período pós-independência no Haiti, com o controle do poder nas mãos das elites crioulas.
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1804–1850

Disputas Políticas entre Coloureds e Blacks

  • Tensões Internas: A elite mulata (gens de couleur) e a população negra recém-liberta tinham interesses divergentes, criando tensões políticas internas.
  • Divisão Norte e Sul: As tensões levaram à formação de dois Estados, um no norte, liderado por Christophe, e outro no sul, liderado por Pétion.
  • Luta pelo Poder: A rivalidade entre as elites mulatas e negras moldou as disputas políticas durante e após a revolução.
As tensões políticas entre os grupos coloureds e blacks resultaram na formação de dois estados distintos, exacerbando a divisão política e social no Haiti.
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1804–1850

Formação de Dois Estados: Norte e Sul

  • Estado no Norte: Liderado por Henry Christophe, que se proclamou Rei Henry I em 1811, estabelecendo uma monarquia autoritária e militarizada.
  • Estado no Sul: Governado por Alexandre Pétion, que estabeleceu uma república no sul com uma abordagem mais democrática e focada em reformas agrárias.
  • Unificação sob Boyer: Após as mortes de Christophe e Pétion, Jean-Pierre Boyer unificou o país em 1820, centralizando o poder e anexando a parte oriental da ilha.
A divisão política entre o norte e o sul, com Christophe no norte e Pétion no sul, foi um reflexo das diferenças entre os dois líderes e suas abordagens para governar o Haiti. Boyer conseguiu unificar o país após suas mortes.
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Fick (2004) · Grafenstein (2011)

Para a discussão

  • Quais foram os principais desdobramentos da Revolução Haitiana para a população trabalhadora negra?
  • O que esse processo revela sobre as tensões entre emancipação, cidadania e construção do Estado no mundo atlântico do século XIX?
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Referências

Bibliografia

FICK, Carolyn. “Para uma (re)definição de liberdade: a Revolução no Haiti e os paradigmas de Liberdade e Igualdade”. Estudos Afro-Asiáticos, v. 26, n. 2, 2004, pp. 355–380.

GRAFENSTEIN, Johanna von. “Haití en el siglo XIX. Desde la revolución de esclavos hasta la ocupación norteamericana (1791–1915)”. Istor, Revista de Historia Internacional, CIDE, ano XII, n. 46, otoño de 2011, pp. 3–32.

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Aula 6 · 24/09/2026

Independências da América Hispânica

Módulo I — Crise do Sistema Colonial e Processos de Independência.

Aula 5 · fonte editorial: conteudo.md (em revisão)
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