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CCLHM0081 · História da América Independente

Formação da República dos EUA

Eric Brasil27 de agosto de 2026UNILAB
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Retomada · Aula 2

Declaração de Independência (1776)

  • Escrita principalmente por Thomas Jefferson, com contribuições de outros membros do Congresso.
  • Fortemente influenciada pelos ideais iluministas: direitos naturais e soberania popular.
  • Embora proclamasse que "todos os homens são criados iguais", a questão da escravidão foi controversa e comprometida.
  • Marco decisivo na formação de uma nova nação baseada em princípios democráticos.
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Declaração de Independência dos EUA, 4 de julho de 1776
Declaração de Independência dos EUA, 4 de julho de 1776.
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Ideia radical

Um Asilo para a Liberdade

É radical? Em qual contexto?

  • Ruptura completa com as tradições monárquicas e aristocráticas da Europa.
  • Criação de uma nação baseada em princípios de liberdade individual e igualdade — vista como afronta aos sistemas estabelecidos.
  • A independência justificada não apenas como separação política, mas como fundação de uma sociedade nova, livre das opressões do Velho Mundo.
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Herança liberal

Um Asilo para a Liberdade

Pensamento liberal local e popular

  • A Revolução Americana bebeu da tradição liberal desenvolvida nas colônias: práticas de autogoverno local e valorização da liberdade individual.
  • Desconfiança inerente em relação às autoridades centrais: o poder deve ser descentralizado e as comunidades locais devem ter máxima autonomia.
  • O conflito entre o local e o central foi uma característica duradoura do pensamento político americano.
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A Guerra pela Independência

Exércitos em confronto

Exército ContinentalFormado pelo Segundo Congresso Continental em 1775, sob George Washington. Milícias coloniais; oficiais de classes populares.
Exército BritânicoUm dos mais poderosos do mundo. Soldados profissionais e mercenários alemães (hessianos). Vantagem de treinamento e logística, mas desafiado pela distância e geografia.
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Aquarela de Jean Baptiste Antoine de Verger retratando soldados na Guerra de Independência
Aquarela de Jean Baptiste Antoine de Verger (1781–1784). Da esquerda para a direita: soldado negro do Primeiro Regimento de Rhode Island, miliciano da Nova Inglaterra, atirador de fronteira e oficial francês. Fonte: Biblioteca do Congresso.
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Análise em sala

Questões para análise

  • Quem são os quatro soldados representados e o que suas vestimentas indicam sobre suas origens e funções no conflito?
  • Por que um oficial francês retratou essa diversidade de soldados em seu diário? O que isso revela sobre o caráter da Guerra de Independência?
  • Qual é o significado histórico da presença de um soldado negro do Primeiro Regimento de Rhode Island nesta imagem?
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Ficha técnica

Informações da fonte

  • Título: Soldiers in Uniform
  • Artista: Jean Baptiste Antoine de Verger, 1762–1851
  • Data: Williamsburg, Virginia, [1781 a 1784]
  • Coleção: Anne S.K. Brown Military Collection
  • Fonte digital: Biblioteca do Congresso — Digital ID
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A Guerra pela Independência

Desenvolvimento e consequências

  • Duração e desdobramentos: a guerra durou quase oito anos (1775–1783), passando por diferentes fases. Começou como um conflito regional em Massachusetts e se transformou em uma guerra global, envolvendo potências europeias como a França.
  • Consequências: para os colonos americanos, a guerra resultou na independência e na formação de uma nova nação. Para a Grã-Bretanha, significou a perda de suas colônias mais valiosas e uma reavaliação de suas políticas imperiais.
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Estratégia britânica · 1/2

Estratégia britânica

Objetivo central

  • Isolar as colônias rebeldes, especialmente a Nova Inglaterra.
  • Depois mudou para contenção e pacificação.
  • Dominar grandes cidades como Nova York.
  • Derrotar o exército de Washington em batalhas decisivas.
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Estratégia britânica · 2/2

Estratégia britânica

Desafios

  • Dificuldades logísticas.
  • Subestimação da resistência americana.
  • Vastidão do território americano.
  • Apoio popular à causa rebelde.
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O papel da França · 1/2

O papel da França

Apoio decisivo

  • Entrada da França em 1778 transformou a guerra em um conflito global.
  • Suporte militar e naval essencial.
  • Vitória americana na Batalha de Yorktown em 1781.
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O papel da França · 2/2

O papel da França

Consequências diplomáticas

  • Aliança franco-americana pressionou a Grã-Bretanha a negociar a paz.
  • Tratado de Paris em 1783 reconheceu a independência dos Estados Unidos.
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Participação negra

Afro-Americanos na Guerra de Independência

Lanning, Michael Lee. African Americans in the Revolutionary War. New York: Citadel Press, 2021.
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Alistamento · 1/2

Debates sobre o alistamento de afro-americanos

Exclusão inicial

  • No início da guerra, muitos líderes coloniais hesitavam em permitir o alistamento de afro-americanos devido ao medo de revoltas e à crença na inferioridade racial.
  • A necessidade crescente de soldados, especialmente após as perdas iniciais, forçou uma reavaliação dessa postura.
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Alistamento · 2/2

Debates sobre o alistamento de afro-americanos

Mudança na política

  • A oferta britânica de liberdade aos escravos que se juntassem à sua causa pressionou os líderes americanos a reconsiderarem sua posição.
  • Eventualmente, afro-americanos livres e até mesmo alguns escravizados foram autorizados a servir no Exército Continental, embora essa decisão tenha sido polêmica.
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Papéis em combate · 1/2

Utilização e papel dos soldados afro-americanos

  • Afro-americanos desempenharam papéis cruciais em várias batalhas importantes, desde a defesa de posições estratégicas até a participação em unidades de artilharia e infantaria.
  • Alguns soldados afro-americanos, como Salem Poor, se destacaram pela bravura e habilidade, desafiando as percepções raciais da época.
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Unidades notáveis · 2/2

Utilização e papel dos soldados afro-americanos

  • O Primeiro Regimento de Rhode Island, composto em grande parte por soldados afro-americanos, é um exemplo de uma unidade de elite que participou de combates decisivos, como a Batalha de Rhode Island.
  • Apesar da discriminação, esses soldados provaram sua capacidade e coragem, contribuindo significativamente para o esforço de guerra.
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Desfecho · 1/2

Afro-Americanos e o desfecho da guerra

Estratégia britânica

  • A Grã-Bretanha utilizou promessas de liberdade para atrair afro-americanos para o seu lado, criando regimentos de soldados negros, como o Regimento Etíope.
  • Essa estratégia causou divisões entre os americanos e forçou uma maior inclusão dos afro-americanos no esforço de guerra colonial.
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Desfecho · 2/2

Afro-Americanos e o desfecho da guerra

Consequências para os afro-americanos

  • Após a guerra, muitos afro-americanos que lutaram ao lado dos britânicos enfrentaram dificuldades, incluindo a reescravização ou a necessidade de emigrar para outras partes do Império Britânico.
  • Aqueles que lutaram pelo lado americano também enfrentaram desilusões, pois a independência não trouxe igualdade ou liberdade para todos, com a escravidão continuando no Sul.
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1781–1783

O término da Guerra

Como a guerra termina

  • Fatores decisivos: a guerra terminou em grande parte devido à exaustão militar e econômica da Grã-Bretanha, à entrada decisiva da França no conflito e às estratégias militares eficazes de George Washington, incluindo a vitória crucial em Yorktown em 1781.
  • Tratado de Paris de 1783: assinado em 1783, reconhecendo oficialmente a independência dos Estados Unidos e estabelecendo as fronteiras da nova nação. A Grã-Bretanha foi forçada a ceder vastos territórios aos americanos, marcando o fim de suas colônias na América do Norte.
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Primeira página da Constituição dos Estados Unidos
Primeira página da Constituição dos Estados Unidos. Lê-se acima a frase We, the People (Nós, o povo). Fonte.
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Formação de uma nova nação

A Constituição da República dos EUA

  • Pós-guerra: criação dos Artigos da Confederação — governo insuficiente, sem poder central forte.
  • Líderes se reúnem na Filadélfia para redigir a Constituição.
  • Sistema federal com equilíbrio de poderes: executivo, legislativo e judiciário.
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Republicanismo

A Constituição da República dos EUA

  • República fundada em princípios republicanos: liberdade individual, autogoverno e separação de poderes.
  • Nação governada por leis, não por monarcas.
  • Ratificação acompanhada de intensos debates.
  • Adoção da Declaração de Direitos (Bill of Rights) em 1791: liberdade de expressão, religião e julgamento justo.
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Leitura obrigatória

Raça e República nos Estados Unidos

Viana, Larissa Moreira. "A América negra em tempo de revolução: raça e república nos Estados Unidos (1776–1860)". Revista de História Comparada, v. 8, n. 2, 2014, pp. 146–165.
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Viana (2014)

Questões principais do texto

  • Objetivo central: analisar e contrapor as visões de Thomas Jefferson e James McCune Smith sobre o lugar político e social dos negros na república norte-americana.
  • Thomas Jefferson: defensor da inferioridade racial, cujas ideias foram influentes na formação da república.
  • James McCune Smith: médico e abolicionista negro que desafiou as ideias de Jefferson, defendendo uma visão radicalmente antirracista.
  • Contexto histórico: o debate ocorre no contexto da formação da república americana e da luta dos negros por reconhecimento e direitos em meio ao avanço das ideias racistas no século XIX.
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1743–1826

Thomas Jefferson

Retrato oficial de Thomas Jefferson por Rembrandt Peale, 1800
Thomas Jefferson. Retrato por Rembrandt Peale, 1800. Fonte: Wikimedia Commons.
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1743–1826

Thomas Jefferson

  • Foi um proeminente líder da independência americana, terceiro presidente dos Estados Unidos e autor da Declaração de Independência.
  • Acreditava na inferioridade dos negros em relação aos brancos, como expresso em sua obra Notas sobre o Estado da Virgínia. Defendia a segregação e colonização dos negros libertos fora dos Estados Unidos.
  • Suas ideias contribuíram para a perpetuação de conceitos raciais que justificaram a exclusão dos negros da cidadania plena na nova república americana.
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1813–1865

James McCune Smith

Retrato de James McCune Smith
James McCune Smith. Fonte.
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Trajetória

James McCune Smith

  • Primeiro médico afro-americano a obter um diploma universitário, educado na Universidade de Glasgow, Escócia.
  • Como ativista contra a escravidão, usou sua voz para desafiar as noções de inferioridade racial propagadas por Jefferson e outros contemporâneos.
  • Em seu artigo de 1859, publicado na Anglo-African Magazine, refutou as ideias de Jefferson, defendendo a igualdade dos negros e a sua plena cidadania na república americana.
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República em formação

Jefferson e a condição dos negros

  • Visão de Jefferson: defendeu que os negros eram naturalmente inferiores aos brancos. Via a escravidão como problemática, mas acreditava que a emancipação deveria ser acompanhada da colonização dos negros fora dos EUA.
  • Impacto na república: as ideias de Jefferson influenciaram profundamente a formação da república, onde a cidadania plena foi negada aos negros. Ele considerava inviável a coexistência de brancos e negros em igualdade no mesmo território.
  • Contradições: embora autor da Declaração de Independência, que proclamava que "todos os homens são criados iguais", Jefferson manteve a escravidão e defendeu políticas que perpetuavam a exclusão racial.
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Contraponto a Jefferson

McCune Smith: república, exclusão e cidadania negra

  • Contraponto a Jefferson: argumentou que os negros tinham tanto direito à cidadania plena quanto os brancos. Refutava as noções de inferioridade racial e lutava contra a exclusão dos negros da república americana.
  • Visão de cidadania: defendia que a república deveria ser inclusiva e democrática, garantindo direitos iguais para todos os seus cidadãos, independentemente da raça. Via a exclusão dos negros como uma falha moral e política da república em formação.
  • Ativismo e escritos: utilizou argumentos científicos, morais e políticos para contestar as visões racistas predominantes e promover uma visão antirracista da cidadania.
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Síntese

De Thomas Jefferson a McCune Smith

  • Debate central: o confronto entre as ideias de Jefferson e McCune Smith encapsula o debate central sobre raça na república americana. Jefferson representa a visão tradicional e excludente; McCune Smith simboliza a luta por inclusão e igualdade.
  • Raça e democracia: McCune Smith criticava a república por não cumprir suas promessas de liberdade e igualdade, destacando as contradições entre os princípios fundadores e a realidade vivida pelos negros.
  • Legado do debate: o diálogo entre as ideias de Jefferson e McCune Smith continua a ressoar na história americana, influenciando os debates contemporâneos sobre raça, cidadania e os desafios da inclusão em uma democracia multirracial.
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Bibliografia

Referências

LANNING, Michael Lee. African Americans in the Revolutionary War. New York: Citadel Press, 2021.

WOOD, Gordon. "III. Revolução". In: A revolução americana. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

VIANA, Larissa Moreira. "A América negra em tempo de revolução: raça e república nos Estados Unidos (1776–1860)". Revista de História Comparada, v. 8, n. 2, 2014, pp. 146–165.

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Aula 4 · 03/09/2026

Revolução de Santo Domingo

Módulo I — Crise do Sistema Colonial e Processos de Independência.

Aula 3 · fonte editorial: conteudo.md (em revisão)
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