Aula 14: Revolução Cubana de 1959

Eric Brasil

quinta-feira, 18 de junho de 2026

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Revolução Cubana (1959)

  • Marco simbólico fundamental para todo o continente
  • Êxito e apoio a movimentos na América Latina
  • Inspiração intelectual e artística

Presença estadunidense em Cuba

Cuba: dependência e ditadura

  • Emenda Platt (1901): interferência estadunidense na constituição cubana
  • Base de Guantánamo: ocupação militar permanente dos EUA
  • Ditadura de Fulgencio Batista: regime autoritário com apoio dos EUA
  • Dependência econômica: monocultura do açúcar voltada ao mercado estadunidense
  • Imperialismo: controle econômico, político e militar

Movimento 26 de Julho

Movimento 26 de Julho

  • Jovens liderados por Fidel Castro
  • Ataque ao Quartel de Moncada (26/07/1953): aparente fracasso militar, mas vitória política e simbólica
  • “A história me absolverá!” — discurso de Fidel na prisão, que se torna manifesto revolucionário

Fidel Castro preso após Moncada

Fidel Castro sob prisão após o ataque ao Quartel de Moncada, 1953. Fonte

Ernesto Che Guevara

Ernesto Guevara. Retrato. ca. 1945. Fonte

Diários de Motocicleta (1952)

Mapa da primeira viagem de Che Guevara pela América Latina, 1952. Fonte

Diários de Motocicleta (filme, 2004)

Viagens de 1956

Mapa das viagens de Che Guevara, 1953–1955. Fonte

Guerrilha de Sierra Maestra (1956–1958)

Sierra Maestra

  • Relação com as populações rurais na região Oriental de Cuba
  • Em Havana, apoio urbano crescente: Partido Ortodoxo (nacional-popular, anti-imperialista)
  • Estratégia de guerrilha rural como base para a revolução

Caminho até Havana

Mapa do avanço revolucionário até Havana. Fonte

As mulheres na Revolução

As mulheres na Revolução Cubana

Mulheres na Revolução Cubana.

Celia Sánchez

Celia Sánchez. Fonte

Haydée Santamaría

Haydée Santamaría, combatente e fundadora da Casa das Américas.

Bibliografia sobre mulheres na Revolução

  • GUITAN, A. Cuban Revolutionary Women. Temas de Nuestra América. Revista de Estudios Latinoamericanos, v. 27, n. 50, p. 157–185, 2011. Link
  • STOUT, N.; WALKER, A. One Day in December: Celia Sánchez and the Cuban Revolution. Monthly Review, 2013.
  • RANDALL, M. Haydée Santamaría, Cuban Revolutionary: She Led by Transgression. Duke University Press Books, 2015.

A vitória revolucionária (1959)

A virada de 1959

Entrada dos revolucionários em Havana, janeiro de 1959. Fonte

A Revolução vitoriosa

  • Após 3 anos de consolidação, especialmente entre os trabalhadores rurais
  • Os guerrilheiros de Sierra Maestra, estruturados militarmente, com apoiadores em Havana
  • Conseguem pressionar o ditador Fulgencio Batista, que foge do país com seus principais aliados

Che e Fidel

Che Guevara e Fidel Castro. Fonte

Elementos centrais e convergentes

  • Projeto educacional: campanha de alfabetização (1961)
  • Reforma agrária: redistribuição de terras
  • Esses dois pontos caminham rapidamente no início dos anos 1960

Invasão da Baía dos Porcos e alinhamento soviético

1961: Invasão da Baía dos Porcos

  • Cubanos exilados na Flórida, com conivência e apoio velado dos EUA
  • Demonstra que os EUA não aceitariam a “perda” de Cuba no contexto da Guerra Fria
  • Como garantir a revolução e afastar as ameaças estadunidenses?

Aproximação com a URSS: “Revolução dentro da Revolução”?

  • Acordos econômicos entre Cuba e URSS: açúcar em troca de apoio econômico e logístico
  • Caminho inverso ao pensado por Che Guevara e outros intelectuais: defendiam autonomia econômica e modernização industrial

1962: Crise dos Mísseis

  • Crise de proporções globais: mundo à beira de uma guerra nuclear
  • Revolução assume um caminho de ortodoxia política: não há espaço para divergência, liberdade de pensamento ou diretrizes contrárias ao projeto ligado à URSS

Autoritarismo e limites

  • Centralismo político
  • Falta de transparência
  • Censura

Perseguição e exílio

  • Percepção de que o papel do artista e do intelectual era subsidiar o projeto revolucionário: fortalecer a direção implementada pelo Estado
  • Colônias de trabalho forçado: punição a artistas, intelectuais e homossexuais
  • Exílio: muitos que tiveram possibilidade deixaram Cuba para a Flórida

Igualdade social e resistência anti-imperialista

  • Criação de instrumentos de promoção da igualdade social: educação, saúde, alguns aspectos da cultura (balé, esporte)
  • Símbolo de resistência contra o imperialismo

Conquistas e limites da Revolução

“Período especial” (pós-1989)

  • Com a queda da URSS, Cuba perde seu principal interlocutor comercial: importações caem 70%, PIB cai quase 50%
  • Reformas liberalizantes (1993–1995): abertura ao capital estrangeiro, legalização do dólar, trabalho por conta própria (cuentapropistas), turismo como eixo econômico
  • Dupla circulação monetária: peso cubano vs. CUC — nova estratificação social

Desigualdade racial no “período especial”

  • Turismo e CUC: empregos mais lucrativos (hotéis, restaurantes) tendem a favorecer cubanos brancos
  • Remessas de cubano-americanos (92% brancos): aprofundam a desigualdade racial
  • Segregação residencial: bairros brancos (Miramar, Vedado) vs. bairros negros (Centro-Havana)
  • Mercado paralelo: afro-cubanos em maior proporção recorrem a atividades informais, reforçando associação entre raça e criminalidade

O mito da democracia racial (1/2)

  • Após a abolição (1886) e as guerras de independência, discurso de “nação para todos os cubanos” e “democracia racial”
  • Partido dos Independentes de Cor (1912): tentativa de organização política negra autônoma → proibida e massacrada

O mito da democracia racial (2/2)

  • Aline Helg: o mito da democracia racial negou reivindicações raciais e justificou repressão
  • Alejandro de La Fuente: o mesmo mito criou oportunidades reais (sufrágio universal, mobilização multirracial) e impediu segregação formal

Revolução e questão racial (1/2)

  • Participação negra pouco expressiva no Moncada e na guerrilha
  • 1959: Fidel Castro proclama a “Proclamação contra a Discriminação”
  • Porém: fechamento das sociedades negras por temor ao “separatismo”

Revolução e questão racial (2/2)

  • Política de Estado: declarar que a questão racial estava resolvida
  • Políticas universalistas (educação, saúde, emprego) sem ações afirmativas específicas
  • Resultado: racismo estrutural não enfrentado

Debate de textos

Durães & Mata (2009): teses centrais

  • A Revolução Cubana é herdeira das lutas anticoloniais do século XIX (Guerra de 10 Anos, abolição, José Martí)
  • Políticas universalistas beneficiaram os afro-cubanos, mas não resolveram o racismo estrutural
  • O “período especial” rearticulou desigualdades raciais: turismo, CUC e remessas aprofundaram clivagem racial
  • Desafio: como pensar a sobreposição entre desigualdade social e racial?

Wasserman (2007): teses centrais

  • Desproporcionalidade: enorme impacto político-cultural da Revolução × escassa produção acadêmica brasileira
  • Ambivalência: atração e repulsa simultâneas — Cuba como ameaça (anos 60) e como compaixão (anos 90)
  • A historiografia brasileira oscilou entre narrativas teleológicas (de Martí a Fidel) e abordagens de processo
  • Florestan Fernandes: pioneiro acadêmico — Cuba como “situação neocolonial” e “revolução em avanço”

Wasserman (2007): Cuba como espelho do Brasil (1/2)

  • Os intelectuais brasileiros, ao escreverem sobre Cuba, faziam perguntas sobre o Brasil
  • A recepção da Revolução Cubana revela mais sobre a sociedade brasileira (Guerra Fria, ditadura, redemocratização) do que sobre Cuba

Wasserman (2007): Cuba como espelho do Brasil (2/2)

  • Imprensa como “lugar de enunciação”: os jornais não informavam sobre Cuba, construíam versões que se tornavam senso comum
  • Emir Sader: Cuba foi “a referência socialista mais importante” para a esquerda brasileira

Textos da aula

  • Durães & Mata (2009): Cuba, os afro-cubanos e a revolução: passado e presente. História Social, n. 17. Link
  • Wasserman (2007): Historiografia sobre a Revolução Cubana no Brasil. Historia Caribe, n. 12, p. 57–76.