quinta-feira, 23 de abril de 2026
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“O visível e o invisível na Conquista hispânica da América”
In: VAINFAS, Ronaldo (org.). América em tempo de conquista. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1992.
“Ora, enfrentamos aqui uma situação paradoxal, pois mesmo derrotados, submetidos e explorados, os índios desenvolveram, ao mesmo tempo, práticas e comportamentos que tornaram o processo da conquista instável e o frustraram em seus objetivos, fazendo com que a nova sociedade mergulhasse numa crise permanente a partir de seus próprios fundamentos. A nova sociedade nascia desequilibrada, corroída em seus alicerces, e por isso mesmo afogada numa crise do mesmo modo sub-reptícia.”
(BRUIT, 1992, p. 79)
“Mas regressemos à resistência. O surpreendente na história da conquista, apesar da destruição e o genocídio, é que os índios sobreviveram física e culturalmente, e sua presença, de algum modo marcante em quase todas as sociedades do continente, é um fato em face do qual não se pode fechar os olhos. (…)
Essa sobrevivência não desmente o massacre nem dá razão aos conquistadores. Em nossa opinião, esse fato, que constitui uma das maiores façanhas da humanidade, permite colocar o significado da conquista por seu reverso e fundamenta nossa tentativa de traduzir o seu lado oculto.”
(BRUIT, 1992, p. 80)
“Desta maneira, eles cantam quando querem, e se embebedam quando querem, e fazem suas festas como querem, e cantam os cantares antigos que usavam em tempos de sua idolatria, não todos, mas muitos, e ninguém entende o que dizem porque seus cantares são muito fechados. (…)
E se alguns cantares foram feitos após sua conversão e tratam das coisas de Deus e de seus santos, estão envolvidos em muitos erros e heresias, e ainda suas danças contêm muitas superstições antigas e ritos idolátricos, especialmente onde não residem quem os entenda.”
Sahagun, citado por BRUIT (1992, p. 94)
As leituras de Bruit (1992) e Martins (2017) propõem uma questão central:
Se toda a documentação da conquista foi produzida pelos vencedores, como podemos fazer a história dos vencidos — e reconhecer sua agência histórica?
Vamos debater a partir dos textos.

Eric Brasil | Entre em contato | CCLHM0076 — História da América: colonização e resistência