Logos da UNILAB, do IHL e do curso de HistóriaAula 6
CCLHM0076 · História da América

Resistências, negociações e agência indígenas

Eric Brasil24 de setembro de 2026UNILAB
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Módulo II · Conquistas, Colonização e Resistências

Resistências, negociações e agência indígenas

  • Os povos indígenas foram apenas vítimas passivas da Conquista?
  • Que formas assumiu a agência histórica das sociedades americanas nos séculos XVI e XVII?
  • Como os historiadores vêm interpretando essas formas de resistência?
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Afinal, o que é resistir?

  • Luta armada?
  • Organização coletiva?
  • Assassinatos, fugas, suicídio?
  • E os gestos cotidianos, os silêncios, as simulações?
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Percurso

Debate historiográfico

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Aculturação × resistência (1970–80)

Nathan Wachtel

  • Chaves interpretativas para pensar as formas pelas quais as populações indígenas interagiam com a sociedade envolvente.
  • Reconstrução das sociedades nativas assumiu diversas formas: resistência, mestiçagem ou algum grau de aculturação.
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Aculturação × resistência

  • Aculturação: populações no interior da sociedade colonial; integração; “perda” da cultura.
  • Resistência: índios que habitavam as margens dos impérios — lutar para preservar seus “valores tradicionais”.
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História cultural: adaptação, criatividade, hibridismo (1980–90)

Serge Gruzinski

  • No vale do México, em meio à destruição material e cultural, os índios tiveram que realizar uma readaptação completa de suas antigas práticas.
  • Praticavam antigos cultos em segredo; aprenderam mecanismos jurídicos dos espanhóis para defender as terras de suas aldeias.
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Adaptação, criatividade, hibridismo

  • Antigos chefes indígenas aprenderam o idioma do conquistador e aderiram à nova ordem política para preservar antigos privilégios.
  • O Novo Mundo dos índios foi um mundo de violência extrema e aniquilação, mas também de mestiçagens e adaptações frente aos imperativos da conquista.
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Etno-história (1990–2000)

Novas abordagens teórico-metodológicas

  • Etnia: mais do que identidade imemorial, é considerada fruto do próprio processo de colonização — ações e escolhas dos próprios índios dentro de um contexto histórico específico.
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Etno-história: mestiçagem

  • Mestiçagem: mais do que fenômeno biológico ou cultural, uma dimensão da vida social — estratégia de sobrevivência e marca da sociedade colonial e de suas ressignificações materiais e simbólicas.
  • Interação entre as histórias de índios e colonizadores, sem silenciar as desigualdades e violências.
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Leitura obrigatória

Bruit (1992)

“O visível e o invisível na Conquista hispânica da América”

In: VAINFAS, Ronaldo (org.). América em tempo de conquista. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1992.

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Bruit (1992): a resistência invisível

  • Visível e invisível!
  • Índios como agentes históricos.
  • “Resistência não-militar”: silêncio; teimosia e tenacidade; mentira; bebedeira; domínio da língua.
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Bruit · 1992
“Ora, enfrentamos aqui uma situação paradoxal, pois mesmo derrotados, submetidos e explorados, os índios desenvolveram, ao mesmo tempo, práticas e comportamentos que tornaram o processo da conquista instável e o frustraram em seus objetivos, fazendo com que a nova sociedade mergulhasse numa crise permanente a partir de seus próprios fundamentos. A nova sociedade nascia desequilibrada, corroída em seus alicerces, e por isso mesmo afogada numa crise do mesmo modo sub-reptícia.”

(BRUIT, 1992, p. 79)

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Bruit · 1992
“Mas regressemos à resistência. O surpreendente na história da conquista, apesar da destruição e o genocídio, é que os índios sobreviveram física e culturalmente, e sua presença, de algum modo marcante em quase todas as sociedades do continente, é um fato em face do qual não se pode fechar os olhos. (...)
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Bruit · 1992
Essa sobrevivência não desmente o massacre nem dá razão aos conquistadores. Em nossa opinião, esse fato, que constitui uma das maiores façanhas da humanidade, permite colocar o significado da conquista por seu reverso e fundamenta nossa tentativa de traduzir o seu lado oculto.”

(BRUIT, 1992, p. 80)

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Las Casas e a simulação dos índios

  • Indígenas mentiam para defender e confundir.
  • Simulavam ingenuidade, obediência e passividade.
  • Rancor pela destruição e pelo genocídio.
  • A simulação como arma: “fingir que crêem e que abraçam a fé cristã”.
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O fracasso da evangelização

“Desta maneira, eles cantam quando querem, e se embebedam quando querem, e fazem suas festas como querem, e cantam os cantares antigos que usavam em tempos de sua idolatria, não todos, mas muitos, e ninguém entende o que dizem porque seus cantares são muito fechados. (...)
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O fracasso da evangelização

E se alguns cantares foram feitos após sua conversão e tratam das coisas de Deus e de seus santos, estão envolvidos em muitos erros e heresias, e ainda suas danças contêm muitas superstições antigas e ritos idolátricos, especialmente onde não residem quem os entenda.”

Sahagun, citado por BRUIT (1992, p. 94)

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Referências

Bibliografia da aula

BRUIT, Héctor H. O visível e o invisível na Conquista hispânica da América. In: VAINFAS, Ronaldo (org.). América em tempo de conquista. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1992, pp. 77–99.

MARTINS, F. P. Repressão e resistência nos Andes coloniais: o movimento Taki Onqoy. Métis: história & cultura, v. 16, n. 31, 11 set. 2017, pp. 245–274.

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Aula 7 · 01/10/2026

Trabalho e tributo colonial

Impactos na ordem social das sociedades autóctones.

Módulo II — Conquistas, Colonização e Resistências.

Aula 6 · fonte editorial: conteudo.md (em revisão)
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