Aula 6Resistências, negociações e agência indígenas
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Aula 6Resistências, negociações e agência indígenas
- Os povos indígenas foram apenas vítimas passivas da Conquista?
- Que formas assumiu a agência histórica das sociedades americanas nos séculos XVI e XVII?
- Como os historiadores vêm interpretando essas formas de resistência?
Aula 6Afinal, o que é resistir?
- Luta armada?
- Organização coletiva?
- Assassinatos, fugas, suicídio?
- E os gestos cotidianos, os silêncios, as simulações?
Aula 6Debate historiográfico
Aula 6Aculturação × resistência (1970–80)
Nathan Wachtel
- Chaves interpretativas para pensar as formas pelas quais as populações indígenas interagiam com a sociedade envolvente.
- Reconstrução das sociedades nativas assumiu diversas formas: resistência, mestiçagem ou algum grau de aculturação.
Aula 6Aculturação × resistência
- Aculturação: populações no interior da sociedade colonial; integração; “perda” da cultura.
- Resistência: índios que habitavam as margens dos impérios — lutar para preservar seus “valores tradicionais”.
Aula 6História cultural: adaptação, criatividade, hibridismo (1980–90)
Serge Gruzinski
- No vale do México, em meio à destruição material e cultural, os índios tiveram que realizar uma readaptação completa de suas antigas práticas.
- Praticavam antigos cultos em segredo; aprenderam mecanismos jurídicos dos espanhóis para defender as terras de suas aldeias.
Aula 6Adaptação, criatividade, hibridismo
- Antigos chefes indígenas aprenderam o idioma do conquistador e aderiram à nova ordem política para preservar antigos privilégios.
- O Novo Mundo dos índios foi um mundo de violência extrema e aniquilação, mas também de mestiçagens e adaptações frente aos imperativos da conquista.
Aula 6Etno-história (1990–2000)
Novas abordagens teórico-metodológicas
- Etnia: mais do que identidade imemorial, é considerada fruto do próprio processo de colonização — ações e escolhas dos próprios índios dentro de um contexto histórico específico.
Aula 6Etno-história: mestiçagem
- Mestiçagem: mais do que fenômeno biológico ou cultural, uma dimensão da vida social — estratégia de sobrevivência e marca da sociedade colonial e de suas ressignificações materiais e simbólicas.
- Interação entre as histórias de índios e colonizadores, sem silenciar as desigualdades e violências.
Aula 6Bruit (1992)
“O visível e o invisível na Conquista hispânica da América”
In: VAINFAS, Ronaldo (org.). América em tempo de conquista. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1992.
Aula 6Bruit (1992): a resistência invisível
- Visível e invisível!
- Índios como agentes históricos.
- “Resistência não-militar”: silêncio; teimosia e tenacidade; mentira; bebedeira; domínio da língua.
Aula 6“Ora, enfrentamos aqui uma situação paradoxal, pois mesmo derrotados, submetidos e explorados, os índios desenvolveram, ao mesmo tempo, práticas e comportamentos que tornaram o processo da conquista instável e o frustraram em seus objetivos, fazendo com que a nova sociedade mergulhasse numa crise permanente a partir de seus próprios fundamentos. A nova sociedade nascia desequilibrada, corroída em seus alicerces, e por isso mesmo afogada numa crise do mesmo modo sub-reptícia.”
(BRUIT, 1992, p. 79)
Aula 6“Mas regressemos à resistência. O surpreendente na história da conquista, apesar da destruição e o genocídio, é que os índios sobreviveram física e culturalmente, e sua presença, de algum modo marcante em quase todas as sociedades do continente, é um fato em face do qual não se pode fechar os olhos. (...)
Aula 6Essa sobrevivência não desmente o massacre nem dá razão aos conquistadores. Em nossa opinião, esse fato, que constitui uma das maiores façanhas da humanidade, permite colocar o significado da conquista por seu reverso e fundamenta nossa tentativa de traduzir o seu lado oculto.”
(BRUIT, 1992, p. 80)
Aula 6Las Casas e a simulação dos índios
- Indígenas mentiam para defender e confundir.
- Simulavam ingenuidade, obediência e passividade.
- Rancor pela destruição e pelo genocídio.
- A simulação como arma: “fingir que crêem e que abraçam a fé cristã”.
Aula 6O fracasso da evangelização
“Desta maneira, eles cantam quando querem, e se embebedam quando querem, e fazem suas festas como querem, e cantam os cantares antigos que usavam em tempos de sua idolatria, não todos, mas muitos, e ninguém entende o que dizem porque seus cantares são muito fechados. (...)
Aula 6O fracasso da evangelização
E se alguns cantares foram feitos após sua conversão e tratam das coisas de Deus e de seus santos, estão envolvidos em muitos erros e heresias, e ainda suas danças contêm muitas superstições antigas e ritos idolátricos, especialmente onde não residem quem os entenda.”
Sahagun, citado por BRUIT (1992, p. 94)
Aula 6Bibliografia da aula
BRUIT, Héctor H. O visível e o invisível na Conquista hispânica da América. In: VAINFAS, Ronaldo (org.). América em tempo de conquista. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1992, pp. 77–99.
MARTINS, F. P. Repressão e resistência nos Andes coloniais: o movimento Taki Onqoy. Métis: história & cultura, v. 16, n. 31, 11 set. 2017, pp. 245–274.
Aula 6Trabalho e tributo colonial
Impactos na ordem social das sociedades autóctones.
Módulo II — Conquistas, Colonização e Resistências.