Aula 5: As várias visões da conquista

Eric Brasil

quinta-feira, 26 de março de 2026

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Conquista das ilhas do Caribe (1492–1519)

  • Ouro de aluvião
  • Escravização
  • Extermínio
  • Início de colonização:
    • Cuba — sede de governo
    • Base para expansão para o continente

A expedição de Hernán Cortés (1519–1521)

Primeira fase

  • Aliança e contatos iniciais com povos locais (1519)
  • Aliança com os tlaxcaltecas

Segunda fase

  • Castelhanos convidados em México-Tenochtitlan (1519–1520): chegam na cidade com dez mil indígenas e 500 castelhanos;
  • Sequestro dos chefes;
  • Massacre do Templo Mayor;
  • Noche Triste.

Terceira fase

  • Recomposição de forças (1520–1521): composição de novas alianças e epidemias de varíola.

Quarta fase

  • Sítio de México-Tenochtitlan (maio a agosto de 1521);
  • Coalização de 20 mil indígenas e mil castelhanos;
  • Derrota dos mexicas.

Mapa da conquista do México

University of Texas at Austin. Historical Atlas by William Shepherd (1923–26)

Historiografia sobre a conquista

  • Século XIX: visão eurocêntrica, civilizatória; heroísmo e superioridade técnica e militar dos castelhanos;
  • Pierre Chaunu: visão de “guerra de conquista”; factual;
  • Rugiero Romano: Armas + Igreja + desestruturação social.

Historiografia sobre a conquista

  • História dos vencidos: Miguel León-Portilla e Nathan Wachtel;
  • Hibridismo cultural: Serge Gruzinski;
  • Eduardo Natalino dos Santos: alianças e guerras, tensões e negociações.

História dos Vencidos

  • Busca trazer as interpretações indígenas da conquista espanhola;
  • Crítica ao eurocentrismo;
  • Incorporação das perspectivas indígenas, solenemente ignoradas até então;
  • Ouvir as vozes dos povos indígenas da América Latina;
  • Visibilidade à resistência indígena.

Crítica de Eduardo Natalino dos Santos

  • Apresenta a conquista militar como uma “obra realizada exclusivamente pelos castelhanos”;
  • Atenção apenas nos indígenas derrotados, como se esses representassem a totalidade dos povos.

Hibridismo Cultural

  • Vertente de história cultural influenciada pela história dos vencidos;
  • Buscava explicar as transformações socioculturais das populações ameríndias após o contato;
  • “Os conceitos (mestiçagem e hibridismo) dariam conta de explicar a constituição das novas sociedades coloniais e a atuação de grande parte de seus agentes históricos.”

Crítica de Eduardo Natalino dos Santos

  • Apresenta os povos indígenas como “não totalmente derrotados no âmbito cultural ou social”, mas mantém os mesmos problemas da história dos vencidos;
  • Entende a conquista da cidade do México como a conquista de todo o território da Nova Espanha;
  • Identifica os diversos povos indígenas com os mexicas: simplificação;
  • Opõe dois tipos de agentes ou forças políticas: índios X espanhóis.

“Por meio da análise de fontes nahuas […], mostramos que as guerras e alianças realizadas entre castelhanos e altepeme [plural de altepetl, unidades político-territoriais] mesoamericanos para consumar a queda de México-Tenochtitlan, entre 1519 e 1521, lançaram as bases políticas e militares que permitiam a conquista, ao longo do século XVI, de grande parte dos territórios que viriam a ser a Nova Espanha, a qual não se deu de forma automática a partir da queda da capital mexica.”

(SANTOS, 2014, p. 221)

Lienzo de Tlaxcala (1552)

Visão geral

Negociação entre tlaxcaltecas e castelhanos intermediadas por Malintzin

Alianças com Iliyocan

Matança de Cholula

Cortez e Montezuma em Tenochtitlan

La Malinche

TOWNSEND, Camilla. Malintzin’s choices: an Indian woman in the conquest of Mexico. Albuquerque: University of New Mexico Press, 2006.

La Malinche: Quem foi?

  • Também conhecida como Malintzin ou Doña Marina;
  • Mulher indígena nahua entregue aos espanhóis em 1519;
  • Se tornou intérprete, conselheira e companheira de Hernán Cortés;
  • Figura controversa: traidora ou sobrevivente?

Breve história

  • Nascida por volta de 1500 na região de Coatzacoalcos;
  • Vendida como escravizada ainda jovem e levada para os maias;
  • Em 1519, entregue aos espanhóis pelos senhores de Tabasco;
  • Aprendeu espanhol rapidamente e tornou-se a principal intérprete de Cortés.

Casamento e descendência

  • Teve um filho com Cortés: Martín Cortés, um dos primeiros mestiços de destaque na Nova Espanha;
  • Após a conquista, foi dada em casamento a Juan Jaramillo, um dos capitães espanhóis;
  • Com Jaramillo, teve uma filha chamada María Jaramillo;
  • O casamento pode ter sido uma estratégia para garantir status social na nova ordem colonial.

Importância como intérprete

  • Facilitou a comunicação entre os espanhóis e diferentes povos indígenas;
  • Usou sua fluência em maia e náuatle para traduzir entre os povos e Cortés;
  • Papel essencial nas negociações políticas e alianças entre os espanhóis e grupos indígenas rivais dos mexicas;
  • Sua habilidade como tradutora ajudou na queda de Tenochtitlán em 1521.

Massacre do Templo Mayor

Retorno à Tlaxcala

O cerco à cidade de Tenochtitlan

Conquista de Tenochtitlan

Bibliografia da aula

  • SANTOS, Eduardo Natalino dos. “As conquistas de México-Tenochtitlan e da Nova Espanha”. História Unisinos, v. 18, n. 2, 2014.

  • TOWNSEND, Camilla. Malintzin’s choices: an Indian woman in the conquest of Mexico. Albuquerque: University of New Mexico Press, 2006.

  • Relatos Astecas da Conquista. Trechos selecionados.