quinta-feira, 12 de março de 2026
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A representação dos países e continentes no mapa mundi tradicional apresenta discrepâncias com a realidade. O site The True Size nos ajuda a visualizá-las.
Integração latino-americana? Mercosul?
Índio é um conceito étnico construído ao longo do séc. XX e atualmente é utilizado pelas próprias comunidades como estratégia de manter identidades e lutar por direitos, aliando-se a outras comunidades etnicamente distintas para mobilizar reivindicações aos Estados Nacionais.
“Índio é todo descendente dos povos autóctones das Américas, conscientes de seus costumes, língua e tradições, mesmo que modificados ao longo do tempo, que seja considerado a partir dessa condição por si próprio e por pares.”
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. “Índio”. In: Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2009.
Caribe
Grande dificuldade para o estudo histórico: extermínio, destruição de fontes primárias, séculos de colonização com migrações frequentes.
Caminho de estudo principal: arqueologia.
Explore o site do Museu Taíno!
Etnia arawak que ocupava muitas ilhas caribenhas. Sua cultura ainda é uma marca importante em países como a República Dominicana.
A partir do texto de NARDI, Tawnne T. de A. “Mesoamérica, Mexicas e Tlapanecas.” (2019)
“La Visión de los Vencidos”, 1959.
Cabeça Colossal n.º 1 — Museu Xalapa
Desenvolvem-se na região sul do atual México. Cultura complexa — marcada por divisão do trabalho (comércio, agricultura, defesa, artes) e urbanismo com grandes praças e templos religiosos — tornou-se uma “alta cultura matriz” para toda a região mesoamericana. Difusão pelo comércio e pelo empenho religioso.
Mapa de sítios do período formativo no SE da Mesoamérica
Elementos que marcam as sociedades mesoamericanas: não conheciam a roda, sem metalurgia até 950 d.C., sem animais domésticos (além de perus e cães).
Duas sociedades do período clássico: Teotihuacán e Maias.
Formação, consolidação e expansão do Estado Mexica pela Mesoamérica.
Expansão do Estado Mexica em 1519
“Plebeu” ascendendo socialmente através da captura de prisioneiros de guerra — Códex Mendoza, fólio 64r
Tributos pagos à capital Tenochtitlán — Códex Mendoza, fólio 47r
A partir do texto de John Murra. “As sociedades andinas anteriores a 1532”.
Antropólogo que estudou a etnologia histórica dos Incas; grande autoridade nos estudos andinos.
“La organización económica del Estado Inca”, primeira edição de 1977 (tese defendida na Universidade de Chicago em 1955).
La organización económica del Estado Inca
Terraços andinos, fundamentais para a agricultura da região
“A população andina vivia em uma multiplicidade de pequenas coletividades agropastoris (…) Cada aldeia era habitada por um conjunto de famílias unidas por laços de parentesco ou aliança, que representava um ayllu.”
Henri Favre. A civilização Inca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004, p. 29-30.
“As células domésticas constitutivas do ayllu reconheciam um chefe ou Kuraka que era geralmente o fundador do grupo. O kuraka distribuía as terras, organizava os trabalhos coletivos e regulava os conflitos.”
Henri Favre. A civilização Inca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004, p. 30-31.
“(…) Divindade tutelar do [ayllu] que era em geral um ancestral do kuraka e na qual este se apoiava para exercer sua autoridade.”
Henri Favre. A civilização Inca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004, p. 30-31.
Terra era coletiva, com lotes divididos por famílias no interior de cada Ayllu. O kuraka buscava garantir que cada família tivesse acesso a todos os pisos ecológicos — o acesso à terra como complementariedade vertical para subsistência.
Sistema redistributivo e de reciprocidade: todos os membros do Ayllu deveriam trabalhar para o kuraka e a waka.
O serviço prestado em forma de trabalho era chamado de mita.
Cabia ao Kuraka redistribuir em produtos o trabalho que recebia, garantindo subsistência e reprodução da comunidade em momentos de crise, e sua posição de prestígio e poder.
Todos esses padrões (Ayllu, Kuraka, Waka, ocupação em arquipélago, Mita, redistribuição) serão incorporados pelo Império Inca em sua expansão política e militar.
A expansão Inca entre 1438 e 1532
Os sucessos militares no vale de Cusco causaram desequilíbrio regional. As reações a essa hegemonia levaram a novas guerras e conquistas.
Em menos de 100 anos o império atingiu aproximadamente 950 mil km².
Quanto maior o império, mais as guerras externas eram necessárias para a estabilidade interna.
“A guerra de conquista constituía um fator essencial de integração e de mobilidade social dentro do Império. Ela representava o projeto coletivo que confederava os povos vencidos e subjugados. A realização de tal projeto era bastante lucrativa para tornar tangível aos olhos destes últimos as vantagens da dependência em que seriam mantidos.”
Henri Favre. A civilização Inca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004, p. 26.
O Império Inca utiliza a mesma estrutura tradicional da região, mas impõe novos sentidos a ela.
O uso da mita é ampliado enormemente: implementada em diversas funções, os trabalhadores são enviados para regiões cada vez mais distantes. Isso enfraquece as chefias locais e o sistema de reciprocidade, garantindo renda e poder diretamente ao Estado Inca.
Ambos implementavam uma política expansionista, controlando e subjugando comunidades na Mesoamérica e na Região Andina. Esse domínio mesclava diplomacia, ameaça de invasão militar e guerras.
Às vésperas da chegada dos espanhóis, mexicas e incas controlavam centenas de comunidades, cobrando tributos — em produtos (Mexicas) ou em trabalho (mita, entre os Incas) —, e mantendo controle político e militar rígidos. O que geraria insatisfação e traria consequências profundas para o futuro desses Estados.
NARDI, Tawnne T. de A. “Mesoamérica, Mexicas e Tlapanecas.” In: O império mexica e a província de Tlapa. Relações políticas e tributárias nos códices mesoamericanos (1461–1521). São Paulo: Universidade de São Paulo, 2019. pp. 25-54.
MURRA, John. “As sociedades andinas anteriores a 1532”. In: BETHEL, Leslie (org.). História da América Latina: América Latina Colonial. São Paulo: Edusp, 2004, pp. 63-100.

Eric Brasil | Entre em contato | CCLHM0076 — História da América: colonização e resistência